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Artigo sobre Acupuntura

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Artigo sobre Acupuntura

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PREVALÊNCIA DO USO DA ACUPUNTURA NA DISCOPATIA INTERVERTEBRAL
EM CÃES ATENDIDOS NO HOSPITAL VETERINÁRIO DA UNIVERSIDADE
LUTERANA DO BRASIL

Autores
PINTO, V. M. 1; LEMOS, C. M. 2; 1 FISCHER, C. D. B. 1; BAJA, K. G. 1
TANAKA, L.Y. 3; KOSACHENCO, B. 1;LOPES, K.P. 4; MAIA, J.Z. 1

RESUMO
A afecção do disco intervertebral é comum em cães e se caracteriza por
degeneração (metaplásica condróide e fibróide) ou metamorfose do disco, que pode
levar a graus variados de deslocamento discal (protusão ou extrusão), causando
pressão sobre a medula espinhal. Os sinais clínicos dependem da localização da
lesão. Pode ser evidenciado dor, ataxia, perda propriocepção, paresia ou paralisia. O
prognóstico depende da gravidade e duração dos sinais clínicos, paciente
apresentando somente dor, o prognóstico é muito bom; se há dor, ligeira ataxia e
perda de propriocepção, o prognóstico é bom; se há paresia, o prognóstico é
reservado a favorável; já, se há paralisia, controle vesical presente e sensibilidade
dolorosa superficial, o prognóstico é reservado; se há paralisia, controle vesical e
sensibilidade dolorosa superficial ausentes, o prognóstico passa a ser reservado a
grave; assim como no caso de paralisia, sensibilidade dolorosa profunda ausente,
com prognóstico grave. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. O
tratamento cirúrgico fica reservado para os casos graves de compressão medular e
paralisia. O tratamento clínico é direcionado para a redução do edema da medula
espinhal pelo uso de corticóides, repouso e o confinamento nas primeiras duas
semanas de tratamento. A acupuntura tem sido utilizada no tratamento das doenças
de disco intervertebrais, associada ou não com corticóides, com o intuito de
promover analgesia, reabilitação motora e sensorial. Ela elimina os pontos gatilho e
assim aboli a dor, o encurtamento e rigidez muscular. Além disso, pode ativar a volta
do crescimento de axônios destruídos na medula espinhal e reduzir a inflamação
local, edema, vasodilatação ou vasoconstrição e a liberação de histamina ou cinina.
Esse trabalho mostra a prevalência dos pacientes acometidos por doença de disco
intervertebral e tratados com acupuntura no Hospital Veterinário da Universidade
Luterana do Brasil (HV-ULBRA) durante o período de janeiro de 2007 a março de
2008.

Palavras-chave: acupuntura, cães, discopatia intervertebral.

INTRODUÇÂO
A afecção do disco intervertebral é comum em cães e se caracteriza por
degeneração (metaplásica condróide e fibróide) ou metamorfose do disco, que pode
levar a graus variados de deslocamento discal (protusão ou extrusão), causando
pressão sobre a medula espinhal (CHRISMAN, 1985; JOHNSON et al., 1997;
LECOUTEUR e CHILD, 1997; TAYLOR, 2006).
Segundo Chrisman (1985) e Taylor (2006), existem as protusões discais
Hansen tipo I que consistem em extrusão maciça ou prolapso do núcleo pulposo
decorrente da ruptura do anel fibroso, quase sempre observados nas raças
condrodistróficas (dachshund) e as protusões discais Hansen tipo II, nas quais há
ruptura parcial do anel fibroso que produz uma deformação na parte dorsal do anel
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fibroso, que se projeta para o interior do canal medular, podendo comprimir a medula
espinhal.
Os sinais clínicos observados nos animais com discopatia intervertebral
dependem da localização da lesão espinhal, da gravidade do dano medular e do grau
de compressão medular (TAYLOR, 2006). Ao exame clínico, sinais clínicos de
neurônio motor superior são observados com maior freqüência do que os de
neurônio motor inferior, estes últimos aparecendo quando são acometidas as
intumescências cervicotóracica ou toracolombar (CHRISMAN, 1985; LECOUTEUR e
CHILD, 1997).
Para o diagnóstico são indicados os exames de imagem como a
radiografia simples, a mielografia (CHRISMAN, 1985; JOHNSON et al., 1997;
TAYLOR, 2006), a tomografia computadorizada e a ressonância magnética
(TAYLOR, 2006).
Matera e Pedro (2006) indicam que na reabilitação da coluna vertebral
deve-se considerar que os animais estão apresentando dor, inflamação e algum grau
de déficit neurológico e atrofia muscular. Segundo Lecouter e Child (1997) e Taylor
(2006), o tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. O tratamento clínico é
direcionado para a redução do edema da medula espinhal pelo uso de corticóides,
repouso e o confinamento nas primeiras duas semanas de tratamento.
Outra alternativa é a utilização de acupuntura e fisioterapia com o objetivo
de destruir os pontos gatilho e assim abolir a dor, o encurtamento e rigidez muscular.
Além disso, pode ativar a volta do crescimento de axônios destruídos na medula
espinhal e reduzir a inflamação local, edema, vasodilatação ou vasoconstrição e a
liberação de histamina ou cinina (JANSSENS, 2006).
A acupuntura corresponde a uma das técnicas de tratamentos da Medicina
Tradicional Chinesa (MTC), que consiste na inserção de finas agulhas e/ou
transferência de calor em áreas definidas na pele ou tecidos subjacentes,
denominados acupontos. Restabelece o equilíbrio de estados funcionais alterados,
atingindo a homeostase (YAMAMURA, 2001). Segundo Jaggar (1992) a MTC baseia-
se no equilíbrio ou harmonia, tanto no interior do organismo como o relacionamento
com o meio exterior. O conceito básico utilizado é representado pelos termos Yin e
Yang, que são energias opostas e ao mesmo tempo complementares.
Trata-se de uma terapia reflexa, em que o estímulo de uma região age
sobre outras. Para isso utiliza principalmente o estímulo nociceptivo, que são
receptores específicos para dor e terminações nervosas livres de fibras aferentes A
delta e C. Ocorre a transformação do estímulo mecânico, elétrico ou químico em
nervoso (SCOGNAMILLO – SZABÓ; BECHARA, 2001) .
A acupuntura pode ser utilizada em afecções do disco intervertebral
tóraco-lombar com o intuito de controlar a dor, normalizar a função motora, sensorial
e alterações na micção (STILL,1989). Além disso, pode atuar em casos de
paraplegia e espasticidade (GADULA, 1999) De acordo com Janssens (1992) a
melhora pode ser observada a partir de uma semana até seis meses.
Em casos agudos a acupuntura pode ser aplicada a cada 2 ou 3 dias,
sendo que as agulhas devem permanecer por 20 a 30 minutos (ALTMAN, 1992) e
em casos crônicos uma vez por semana durante quatro a seis semanas. Após
estabilização do quadro pode-se diminuir a freqüência para cada quinze dias e após
para cada 3 a 6 meses, sendo aconselhado em períodos de estação mais quente ou
fria do ano, baseado no diagnóstico na MTC (SCHOEN, 1994).
Segundo Maciocia (1996) os quadros com sintomas de dor, sensibilidade
ou parestesia correspondem a uma obstrução de energia nos meridianos. Além
disso, em qualquer lombalgia temos deficiência de Qi (yang ou yin) do rim, e
estagnação de Qi (energia) e Xue (sangue) responsáveis pela dor (TORRO, 1997).
3

A região lombar é energizada pelo Shen (rins), pelo Canal de Energia
Principal do Pangguang (bexiga), pelo Canal de Energia Curioso Du Mai (Vaso-
Governador) e pelos pontos Shu do dorso dos órgãos e vísceras, enquanto nervos,
ligamentos e capsular articulares são energizadas pelo Gan (Fígado) (YAMAMURA,
2001). Para restabelecer o fluxo de energia através do Meridiano da Bexiga até os
membros são utilizados frequentemente os pontos: B40; B60; B28; B54; VB30; F3;
VB34; VB29; E38; VB39, além dos pontos anterior e posterior da obstrução (WYNN e
MARSDEN, 2003). Também podem ser utilizados os acupontos B17 a B28, VG6,
VG4, além de acupontos distais como R3, R6, BP4, BP6 que são utilizados para que
fibras nervosas levem aferência até centros superiores e no segmento medular
afetado, combatendo a inflamação, dor e ativando a regeneração (JANSSENS, 1992;
STILL, 1989).

METODOLOGIA
Com o objetivo de estabelecer a prevalência dos pacientes acometidos por
doença de disco intervertebral e tratados com acupuntura no Hospital Veterinário da
Universidade Luterana do Brasil (HV-ULBRA) foram contabilizados os animais
encaminhados ao serviço de acupunturada, no período de janeiro 2007 a março de
2008.
Dados relativos à idade dos animais, sexo, e raça foram registrados, bem
como as terapias utilizadas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foi atendido um total de 56 animais com doença de disco intervertebral no
serviço de acupuntura veterinária do HV-ULBRA, no período de janeiro de 2007 a
março de 2008. Os animais foram classificados em diferentes graus de lesão de
acordo com os sinais clínicos e neurológicos presentes (Janssens, 1992). A maioria
dos animais atendidos (em torno de 80%) apresentaram grau 4 ou 5.
Na resenha dos animais pôde-se evidenciar que 46,4% dos animais eram
da raça Dachshund, 56,6% eram de diferentes raças como Collie, Labrador, Pointer,
Pastor alemão, Lhasa apso, Cocker, Rotweiller, Boxer e SRD. A raça Dachshund foi
a mais predominante e conforme Chrisman (1985), Johnson et al. (1997) e Taylor
(2006) é uma das mais acometidas pela protusão discal tipo I.
A idade dos animais atendidos oscilou entre 1 e 13 anos. Sendo que a
maioria (44,6%) entre 3 a 6 anos. Conforme LeCouteur e Child (1997) nos cães
condrodistróficos esse processo se inicia entre os oito meses e os dois anos de
idade, enquanto, nos animais não condrodistróficos a alteração começa entre os
cinco e dez anos de idade.
Os sinais clínicos apresentados pelos animais eram de graus variáveis (1
a 5), desde dor sem déficits neurológicos, até casos de paralisia com ausência de
sensibilidade dolorosa profunda. Esta classificação está de acordo com Janssens
(1992).
O diagnóstico da discopatia nestes animais foi estabelecido através do
exame clínico neurológico e dos exames de imagem como o raio-x e a mielografia,
que foi realizada em 2 animais, os quais foram encaminhados para cirurgia.
Ao serem encaminhados ao serviço de acupuntura os animais com lesões
agudas recebiam como tratamento clínico a prednisona e recomendação de repouso
restrito em gaiola. Além disso, eram associadas sessões de fisioterapia, tanto nos
pacientes com lesões agudas ou crônicas, que envolviam uma avaliação fisioterápica
do animal com o estabelecimento dos objetivos do tratamento. Considerava-se a
avaliação clínica da dor, dos processos inflamatórios, do grau de déficit neurológico,
4

bem como o grau de atrofia muscular presente. Os recursos fisioterapêuticos
utilizados foram: o uso do laser terapêutico, termoterapia e cinesioterapia. Kisner e
Colby (1992), Battistela e Shinzato (1995), Butler (2003), Freire (2005), Amaral
(2006), Matera e Pedro (2006) indicam estes recursos terapêuticos para os animais
com afecções na coluna vertebral.
Os animais eram submetidos ao tratamento com acupuntura uma vez por
semana, utilizando pontos principalmente do meridiano da bexiga, estômago e
vesícula biliar no caso de discopatias tóraco-lombar, lombar e sacral. Segundo Wynn
e Marsden (2003), a fraqueza nos membros pélvicos após protrusão ou extrusão
discal envolve principalmente o meridiano da bexiga e secundariamente os
meridianos do estômago e vesícula biliar. Nas discopatias cervicais eram utilizados
pontos do meridiano da bexiga, vesícula biliar, intestino grosso, vaso governador.
Janssens (1985) cita para o tratamento de discopatias cervicais a utilização dos
pontos TA5, VB20, VB39, ID3, IG11 e pontos locais dolorosos a palpação.
Dos 56 animais atendidos, 67,8% apresentaram melhora do quadro, 3,6%
foram encaminhados para cirurgia, 21,4% apresentaram pouca ou nenhuma melhora
e 7,2% abandonaram o tratamento. A maioria dos animais manifestava melhora
clínica a partir da segunda ou terceira sessão. De acordo com Janssens (1992) a
melhora pode ser observada a partir de uma semana até seis meses.

CONCLUSÃO
A discopatia intervertebral é uma realidade na rotina de pequenos animais
e no HV-ULBRA. Os médicos veterinários devem saber identificar os pacientes
acometidos, bem como estabelecer a lesão e sua gravidade, a fim de prescrever um
tratamento clínico-cirúrgico adequado. O tratamento clínico é baseado no uso anti-
inflamatórios esteróides e no repouso. A acupuntura e fisioterapia visando a
reabilitação do animal devem ser sempre indicadas, já que aceleram o processo de
cura, e melhoram a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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5

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YAMAMURA, Y. Acupuntura tradicional. A arte de inserir. 2. ed. São Paulo: Roca,
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