Style Sampler

Layout Style

Patterns for Boxed Mode

Backgrounds for Boxed Mode

All fields are required.

Close Appointment form

Displasia Coxofemoral Cão

  • Home
  • Displasia Coxofemoral...
icon
Displasia Coxofemoral Cão

No Comments

Displasia Coxofemoral Cão

Campanha Fisioanimal para controle da Displasia Coxofemoral
Tel: (011) 3862-6398
atendimento@fisioanimal.com
Agende uma avaliação ! Não deixe seu amigo de quatro patas com dores, displasia coxofemoral tem controle !

 

 

Displais coxofemoral tem controle! Entre em contato com a Fisioanimal e conheça nossas opções de tratamento! - www.fisioanimal.com

Displais coxofemoral tem controle! Entre em contato com a Fisioanimal e conheça nossas opções de tratamento! – www.fisioanimal.com

A displasia coxofemoral no cão pode afetar sua qualidade de vida. Dor, dificuldade de locomoção, claudicação ( mancar), andar cambaleante ( parece que está “rebolando”) e  andar de coelho ( bunny hopping) são sinais da doença.

A fisioterapia pode ajudar muito o animal com displasia. Muitas vezes associada a acupuntura e implante de ouro ( veja o post sobre este tema) a fisioterapia mantém a musculatura forte para que animal, apesar da deficiência, consiga realizar suas atividades diárias. Tem ainda um papel mais importante no controle da artrose que normalmente está associada.

Abaixo, um artigo sobre Displasia Coxofemoral, escrito pela Dra Maira Formenton, nos Anais do Conpavepa ( Congresso Paulista das especialidades – 2012) e Coluna Técnica na Revista Nosso Clínico

Acompanhe também, na parte de Casos, o caso da Zaira, uma mastiff com grave displasia coxofemoral.

Para nossos colegas veterinários, depois há um artigo técnico sobre diagnóstico da doença ( Displasia Coxofemoral Canina – Revista de Educação Continuada do CRMV-SP).

 

Displasia coxofemoral: porque encaminhar à fisioterapia

A displasia coxofemoral atualmente é uma das afecções ortopédicas mais significante em cães, pois pode prejudicar significantemente a qualidade de vida dos animais.

Considerada uma alteração no desenvolvimento,  envolve a cabeça, colo femoral e acetábulo e tem transmissão hereditária, recessiva, intermitente  e poligênica. A condição clínica do animal pode ser agravada por fatores ambientais (viver em pisos lisos), nutricionais (a obesidade agrava os sintomas) e biomecânicos (alterações posturais secundárias). Os sinais podem ser variados como claudicação uni ou bilateral, deslocamento do centro de gravidade cranialmente, dorso arqueado, rotação lateral dos membros, andar cambaleante, dificuldade de levantar, dor à palpação do local.

Os objetivos do tratamento devem ser a redução da dor do paciente, diminuir da progressão da doença articular degenerativa e a tentativa de manter ou restaurar a função normal da articulação, senpre considerando a idade do animal, grau de desconforto e severidade dos sinais clínicos, achados radiograficos e até recursos financieiros do proprietário.

Entre as opções conservativas devem-se utilizar a associação do controle da dor e da doença articular degenerativa, controle de peso e exercícios orientados. O uso de fármacos antiinflamatórios não esteroidais como carprofeno (2,2 mg por kg VO BID ou 4,4 mg por kg VO SID) e o firocoxib (1 a 2 mg por kg VO, SID.) auxiliam no tratamento porém não devem substituir o controle de peso e o programa de exercícios. Há ainda a opção da administração de  glicosaminoglicanos, glicosamina, sais de condroitina e hialuronato, porém há a necessidade de mais estudos para a comprovação de sua eficácia.

O retorno da função articular está diretamente ligada à manutenção ou ganho de força muscular nos membros pélvicos. Isso deve ser feito através de exercícios controlados e com baixo impacto, ou seja, que não causem estresse articular. Dentre eles podem ser indicados hidroterapia, natação, caminhadas controladas na guia, entre outros, evitando outros que possam causar danos articulares como corridas e exercícios de impacto.

Hidroterapia é indicada para tratamento de problemas de coluna, atrofias musculares, fortalecimento dos membros e ainda como auxílio no emagrecimento. - Imagem com direitos autorais - Fisioanimal Fisioterapia Veterinária

Hidroterapia é indicada para tratamento de dispais coxofemoral, problemas de coluna, atrofias musculares, fortalecimento dos membros e ainda como auxílio no emagrecimento. – Imagem com direitos autorais – Fisioanimal Fisioterapia Veterinária

O programa de exercícios deve respeitar os sinais clínicos , não podendo causar dor, sendo assim individualizados. Podem ser associados exercícios para grupos musculares específicos incluindo caminhadas em aclive, exercícios de senta e levanta, dança, uso de bolas terapêuticas para isolar grupos musculares, entre outros.

O alongamento passivo dos membros tem grande importância no ganho de amplitude articular e muscular além do restabelecimento da função da mesma. Além disso, a mobilização articular adequadamente realizada auxilia na redução da rigidez, aumentando a amplitude de movimento articular e possibilitando uma melhor movimentação do animal, aumento no metabolismo e difusão de nutrientes na cartilagem.

Aplicação de Ultra Som Terapêutico na coxofemoral de um animal com atrose.

Aplicação de Ultra Som Terapêutico na coxofemoral de um animal com atrose.

Outras técnicas podem ser associadas como a utilização de ultrassom terapêutico, bolsas quentes, massagens e eletroterapia ( TENS, Insterferencial) para auxiliar na redução da dor e da rigidez articular, proporcionando condições para a realização dos exercícios ativos.  Pode ainda ser ulitizada a eletroestimulação neuromuscular para auxiliar no ganho de força e redução de hipotrofias musculares. Nos processos inflamatórios agudos, a crioterapia pode auxiliar no controle da inflamação e ajudando no controle da dor. A associação do tratamento à técnicas de acupuntura ( como agulhamento, eletroacupuntura e implantes de ouro) é recomendada , obtendo-se assim um efeito sinérgico.

Implante de ouro para artrose de quadril - acupuntura veterinária Fisioanimal

Implante de ouro para artrose de quadril – acupuntura veterinária Fisioanimal

Por fim, conclui-se que o a abordagem da displasia coxofemoral em nossos pacientes deve envolver terapias múltiplas para assim proporcionarmos uma adequada qualidade de vida ao animal. A prática de fisioterapia, suporte analgésico e  exercícios orientados são essenciais nas diversas formas clínicas em que se apresenta a doença, mantendo o suporte articular adequado, inclusive em animais em que já foram realizadas técnicas cirúrgicas.

 

2- Caso clínico : Zaira

displasia coxofemoral- Zaira

Zaira, apresentava displasia coxofemoral grave, e sofreu cirurgia nos dois membros quando ainda filhote.

“Me emocionei vendo a reportagem! Domingo é aniversário dela. Três anos. Esta ótima. Forte. Uma leoa no meu quintal. Bjos a Dra Maira Rezende Formenton” – Zenon Costa, proprietário da Zaira.

Zaira , aos 10 meses de idade, não conseguia mais levantar. Apresentava uma displasia coxofemoral grave e teve que sofrer precocemente uma cirurgia drástica no quadril. Após a cirurgia ainda tinha muitas dificuldades,dor , além de uma grande perda de massa muscular nos membros posteriores. Relutava a levantar e andar….

 

Zaira entrou começou seu tratamento na Fisioanimal, buscando voltar a caminhar e brincar…

Após algumas semanas Zaíra já havia conquistado a todos

Zaira displasia coxofemoral fisioterapia veterinária fisioanimal

Zaira em sua sessão de hidroterapia para displasia coxofemoral – Fisioanimal fisioterapia veterinária 

E após alguns meses voltou a correr e brincar ! parabéns Zaira!!!

 

 

3 –  Artigo: DISPLASIA COXOFEMoRAL CANINA


RESUMO

Displasia coxofemoral é a má formação das articulações coxofemorais, incidindo em todas as raças, principalmente nas grandes e de crescimento rápido. Sua transmissão é hereditária, recessiva,intermitente e poligênica. Fatores nutricionais, biomecânicos e de meio ambiente, associados à hereditariedade, pioram a condição da displasia. A suspeita ao exame clínico é possível, mas é o estudo radiográfico, normalmente a partir dos doze meses completos de idade na maior parte das raças, mediante posicionamento correto do animal, que define o diagnóstico.Para tanto o paciente deve estar livre de qualquer reação.Este estado é atingido com a anestesia geral, de preferência. O paciente deve estar posicionado em decúbito dorsal, membros posteriores estendidos caudalmente, de igual comprimento, paralelos entre si e em relação á coluna vertebral, rotacionados medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. A pelve não pode estar inclinada. Na identificação mínima do filme deverá constar o número de registro do cão, data de nascimento e data do exame radiográfico .A subluxação, normalmente como primeiro sinal radiográfico, pode levar à artrose secundária, assim denominada se desenvolver secundariamente a uma outra alteração, no caso a displasia.O controle desta má formação se faz através de uma seleção radiográfica de todos os animais utilizados na reprodução.O índice de Norbeg é utilizado para o diagnóstico.Modernamente o tratamento medicamentoso tem se baseado em produtos com capacidade anabolizante da cartilagem articular degenerada.

Uma questão de diagnóstico?

Um exame clínico apropriado não é suficiente para o diagnóstico da displasia. Definitivamente será radiográfico, mediante imagem de qualidade e animal corretamente posicionado.

Conceito: é a má formação das articulações coxofemorais. Índice em todas as raças, principalmente nas grandes e de crescimento rápido. Atinge os dois sexos, podendo comprometer uma articulação (aproximadamente 10%) ou ambas.

Histórico: Schnelle (1936) descreveu pela primeira vez a displasia coxofemoral e Konde (1947) comentou sua origem hereditária. Schales (1959) a descreveu como má formação e indicou o exame radiográfico para o diagnóstico. Wayne e Riser(1964) relacionaram o crescimento rápido e precoce e ganho de peso de pastores alemães com transmissão genética. Henricson,Norberg e Olsson (1966) consideraram-na como má formação hereditária e a subluxação como conseqüência da alteração anatômica.

Transmissão: hereditária,recessiva,intermitente e poligênica (alguns autores tem considerado 20 genes).Fatores nutricionais, biomecânicos e de meio ambiente (multifatorial), associados à hereditariedade, pioram a condição da displasia.Recomenda-se fundamentalmente evitar os traumas, sejam eles da obesidade, dos locais escorregadios,etc…

Etiopatogenia: as estruturas que auxiliam na manutenção das articulações são: cápsula articular, ligamento acetabular transverso, musculatura da região, ligamento redondo, pressão negativa articular e aplicação do acetábulo pelo lábio glenoidal ou ligamento acetabular.Pesquisadores tem fundamentado seus estudos nas modificações bioquímicas do líquido sinovial, como a diminuição do cloro(carga negativa) e aumento do sódio e potássio (cargas positivas). Em função destas alterações ocorre um aumento da osmolaridade, que traz como consequência o aumento da quantidade do mesmo líquido e a sinovite com desidratação da cartilagem articular. A partir deste instante desenrola-se uma seqüência de outros episódios, tais como: aumento da pressão intra articular, aumento da tensão sobre as estruturas moles que mantém a articulacão, afrouxamento destes tecidos moles, perda da intimidade articular, arrasamento (ocificação ou calcificação)ou não da cavidade acetabular (aspesto medial), subluxação (deslocamento lateral da cabeça femoral, normalmente como primeiro sinal radiográfico), edema, ruptura parcial ou total do ligamento redondo, micro fraturas acetabulares criminais e por fim a artrose secundária (secundária porque se desenvolve secundariamente a uma outra alteração – a diplasia). Há que se considerar ainda a hipótese de que a displasia é uma má formação biomecânica, resultante de uma disparidade entre o desenvolvimento da massa muscular pélvica e o rápido crescimento do esqueleto (Figura 1).


Figura 1.
À esquerda desenho de uma articulação coxofemural normal e anômala à direita.
Forças articulares anormais inclinam para baixo a cabeça e colo femorais,
modificam a anatomia da cavidade acetabular,rompem o ligamento redondo e espessam o colo femoral.

Sintomatologia: ocorre principalmente entre os quatro meses até menos de um ano de vida. Os cães poderão apresentar dificul-dades para levantar, caminhar, correr, saltar e subir escadas. A locomoção pode ser dificultada em lugares lisos. Para correr poderão imitar a corrida de coelhos. A claudicação poderá afetar um ou dois membros. No segundo caso observa-se, com alguma freqüência, que os animais deslocam o peso mais sobre os membros anteriores, desenvolvendo a musculatura torácica desproporcionalmente em relação aos posteriores. As passadas podem ser mais curtas, podendo ocorrer relutância aos exercícios, observando-se preferência pelo sentar ou deitar. Episódios anormais de agressividade são algumas vezes observados, inclusive com o proprietário. A displasia pode provocar muitas dores, andar imperfeito,afetando a resistência do animal.

Exame clínico: baseia-se na observação do animal em estação, caminhando e trotando, na constatação de aumentos de volumes e assimetrias e na busca da presença da dor, crepitação e amplitude do movimento articular, maior na fase aguda e menor na crônica, já nesta última intensificam-se as alterações articulares degenerativas, tomando lugar a fibrose capsular e muscular circundante. Os sinais Ortolani e Bardens devem ser explorados em cães jovens, anestesiados e colocados em decúbito lateral. Para para o sinal de Ortolani (Figura 2), posicione o fêmur superior perpendicularmente ao eixo longitudinal da pelve e paralelamente à superfície da mesa de exame. Coloque a palma de uma das mãos sobre a articulação coxofemoral sob avaliação e com a outra segure firmemente a articulação fêmoro-tíbio-patelar correspondente, pressionando o fêmur contra o seu acetábulo. Quando esta pressão é exercida, a cabeça femoral da articulação displásica subluxa dorso-lateralmente. Mantenha esta pressão e abduza ao máximo o fêmur. Durante esta manobra você sentirá a cabeça do fêmur retornará a sua cavidade acetabular, algumas vezes emitindo um som audível semelhante a um “clunk “. O retorno com ou sem som é achado clínico que corresponde a um sinal Ortolani positivo, vindo a confirmar a presença de frouxidão articular. Para o sinal de Bardens (Figura 3), indicado para animais mais leves e com menos de três meses de idade, segure o fêmur superior com uma mão e posicione a outra com o polegar na tuberosidade isquiática, o indicador sobre o trocanter maior e o dedo médio na tuberosidade sacral. Abduza o fêmur paralelamente à mesa de exame. O deslocamento lateral do trocanter maior, além do compatível, percebido pelo indicador, revela frouxidão articular.

Contenção: o diagnóstico é definitivo através do exame radiográfico, mediante posicionamento correto do paciente e imagens de qualidade. O posicionamento normalmente é alcançado através da anestesia geral, já que estamos frente a uma patologia muitas vezes dolorosa e de raças geralmente grandes. A associação farmacológica da tiletamina e zolazepam proporciona analgesia rápida e profunda e relaxamento muscular. É uma anestesia dissociativa segura, de efeitos secundários reduzidos. Recomendamos a administração na dose prescrita por via E.V.(1ml para cada 10 kg de peso), devido aos efeitos mais rápidos (ganho de tempo)e pelas doses menores, quando comparadas à aplicação I.M.. Os riscos de uma anestesia feita com cuidado e com drogas modernas caem praticamente a zero.

Controle da displasia: todos os animais utilizados na reprodução devem passar por uma seleção radiográfica. Como condição mínima necessária, pelo menos os pais dos reprodutores devem ser insetos de displasia, não sendo preciso ressaltar que quanto mais longe formos no controle dos ascendentes, melhor será.Os animais aprovados para a reprodução também o deverão ser quanto a prova dos descendentes. Não basta apresentar articulações coxofemorais normais, pois os animais nestas condições podem transmitir a má formação aos seus descendentes . É importante esclarecer que as radiografias só avaliam os aspectos fenotípicos (alteração radiográficas) e não o genótipo. Freqüentemente animais sem sinais de displasia são portadores dos respectivos gens. É preciso deixar muito claro que todos os animais, com exceção dos de categoria A, sem sinais de displasia coxofemoral(HD -),do alemão Hüftgelenk Dysplasie e inglês Hip Dysplasia,apresentam displasia, em menor ou maior grau. Atualmente no Brasil, para fins de reprodução, é permitido o acasalamento dos cães pertencentes às três primeiras categorias, ou seja, A(HD -), B(HD +/-)e C(HD +), enquanto que alguns países, como por exemplo a Alemanha, só são autorizados para o mesmo fim as classificações A e B. Sugere-se, caso a fêmea seja C (displasia coxofemoral leve: HD +), que ela deva ter excelentes características do padrão da raça, como conformação, temperamento,etc.. Estas virtudes devem superar as deficiências das articulações. Esta mesma fêmea deveria acasalar com um macho A, sem sinais de displasia coxofemoral (HD -). As recomendações para as fêmeas não devem ser aplicadas aos machos, já que os mesmos transmitirão a displasia para um número muito maior de filhotes. Animais levemente displásicos tendem transmitir displasias discretas. É importante ressaltar que os critérios de acasalamento devem levar em consideração o tamanho do plantel e a conformação das articulações. Se a população de animais em uma determinada raça é muito grande e controle e o controle da displasia é feito rotineiramente há muito tempo, o critério na reprodução será mais rígido se comparado com outras raças com número menor de exemplares e com o controle radiográfico mais incipiente. Caso contrário limitaríamos tanto os acasalamentos que poderiam não haver mais animais aptos para este fim. Muitos proprietários questionam diagnóstico radiográfico, quando o resultado é de displasia moderada ou severa e quando os cães correspondentes praticam exercícios diários intensos sem manifestar qualquer sintoma. Isto é perfeitamente possível, pois sabemos que muitas vezes não há correlação entre as lesões radiográficas e os sinais clínicos.


Figura 4.
Correto posicionamento do cão para o diagnóstico da displasia.

Radiografia perfeita: ao se realizar uma radiografia das articulações coxofemorais para o diagnóstico da displasia, faz-se necessária, preferencialmente, a anestesia geral, podendo ser de curta duração, de tal forma que o paciente esteja livre de qualquer reação, com o objetivo de se obter um posicionamento correto. O animal é então colocado em decúbito dorsal (Figura 4), com os membros posteriores estendidos caudalmente, de igual comprimento, paralelos entre si e em relação à coluna vertebral, rotacionados mediante,de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. A pelve deve estar paralela à superfície da mesa, ou seja, sem inclinação. Para uma radiografia de posicionamento adequado é de grande valia uma calha, utilizada para deitar o animal no seu interior, com a pelve fora da mesma. Portanto ela é um acessório muito importante para este tipo de exame. Os membros torácicos são estendidos cranialmente, tornando-se o cuidado de não haver inclinação do tórax do animal. Nestas circunstâncias a imagem radiográfica deverá nos mostrar o seguinte (Figura 5):

  • ílios simétricos- canal pélvico ovalado, de contornos simétricos, quando dividido sagitalmente

  • forâmens obturadores simétricos – fêmures paralelos entre si e com a coluna vertebral

  • patelas sobrepostas aos sulcos trocleares

A imagem radiográfica deve permitir a visualização de toda a pelve, assim como das articulações fêmoro-tíbio-patelares,para que se possa avaliar a simetria dos ílios e os posicionamentos das patelas. Se estas não tiverem sobrepostas aos sulcos trocleares, conclui-se que os posteriores foram rotacionados insuficiente ou excessivamente. Normalmente é insuficiente, ou seja, a patela tende a se sobrepor mais ao côndilo lateral do fêmur do que ao sulco propriamente dito.No posicionamento apropriado das patelas, alcançados através da rotação mediana dos membros, exerce-se uma força sobre as cabeças femorais, levando as articulações displásicas à subluxação, enquanto que o animal normal não correrá o mesmo. Normalmente é esta subluxação a primeira alteração radiográfica e em princípio a mais importante.Através dela é que se determina o grau no índice de Norbeg. As demais alterações irão se desenvolver como conseqüência da subluxação, como por exemplo a artrose, por isso denominada de artrose secundária.Uma radiografia de qualidade deverá ser bem contrastada, observando-se de forma bem detalhada o bordo acetabular dorsal e a estrutura trabecular da cabeça e colo femorais. Alcançam-se estes objetivos utilizado-se bons equipamentos de raios X, é crans e filmes de boa procedência, revelação por processamento automático sempre que possível e uma câmara escura que realmente seja escura, provida de uma lâmpada de segurança que realmente seja de segurança. Sob a superfície da mesa radiográfica, no Bucky, faz-se presente a grade anti-difusora, com a função de absorver a maior parte da radiação secundária. Esta, quando ausente, produz imagens sem contraste, isto é, de aspecto enfumaçado.


Figura 5.
Desenho da simetria anatômica como decorrência de um posicionamento correto.

Radiografia inadequada: é aquela sem posicionamento apropriado, caracterizada principalmente pela assimetria dos ílios, au-sência de paralelismo entre os fêmures, principalmente por abdução dos membros, patelas não sobrepostas aos sulcos trocleares e aquelas sem padrão de imagem, por estarem sub ou super expostas (claras ou escuras, respectivamente), prejudicando o contraste, tremidas, manchadas, mal reveladas, etc., bem como aquelas sem dados de identificação do paciente na emulsão(antes da revelação)do filme.

Diagnóstico: é realizado através do índice de Norberg (Figura 6). Baseia-se na determinação dos centros das cabeças femorais e da união dos mesmos por intermédio de uma linha, que nos possibilitará traçar, a partir de um dos centros uma segunda linha, que tangenciará o bordo acetabular crânio lateral. As duas linhas formam entre si um ângulo, chamado ângulo de Norberg. Este é apenas um dos elementos necessários para o diagnóstico da displasia. Outros fatores devem ser levados em consideração, tais como o posicionamento do centro da cabeça femoral em relação ao bordo acetabular dorsal, o aspecto da linha articular, a presença de alterações articulares degenerativas (artrose secundária) e a conformação dos bordos acetabulares, principalmente do crânio lateral. Segundo Norberg o menor ângulo compatível com a normalidade é 105º , porém pode haver uma articulação com 105º ou mais e ser classificada como próxima do normal (B) ou levemente displásica (C), Bastando para isto a presença de osteófito no bordo acetabular crânio lateral, adulterando o ângulo ou quando menos de 50 % da cabeça femoral estiver inserida dentro da cavidade acetabular. Os autores tem preconizado pelo menos 50 %. É de fundamental importância entender, que em princípio, quanto maior o ângulo de Norberg, maior será a congruência articular. Em outras palavras, maior será o contato entre cabeça femoral e cavidade acetabular ou maior será a intimidade entre elas ou maior ser’ao encaixe da cabeça femoral. A partir deste momento, quanto menor a congruência articular, menor será o ângulo e mais evidente será a subluxação, podendo atingir até a luxação.

Há alguns anos o Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária – CBRV, através de uma plêiade de médicos veterinários radiologistas, tem tornado realidade, como em outros países, a emissão de um Certificado de Controle da Displasia Coxofemoral Canina. Esta nova modalidade de prestação de serviços surgiu de uma necessidade premente, já que havia uma enorme discrepância entre os diagnósticos realizados. Estas discrepâncias levaram e continuam levando inúmeros criadores a prejuízos incomensuráveis, já que alicerçaram sua criação em reprodutores supostamente sem displasia. O CBRV, ao receber a radiografia realizada por médico veterinário, a examina quanto a qualidade diagnóstica, podendo devolvê-la, caso a mesma não obedeça aos padrões técnicos exigidos.


Figura 6.
A sobreposição de uma circunferências concêntricas ao limite
da cabeça femoral determinará o centro da referida cabeça femoral.

Normas do CBRV para avaliação da displasia coxofemoral em cães no Brasil, segundo os critérios da Federação Cinológica Internacional – FCI

1 – Procedimentos técnicos

Idade
A avaliação das condições articulares será feita conclusivamente a partir dos doze meses completos de idade na maior parte das raças, exceção feita ao Bullmastiff, Dogue de Bordeaux, Great Dane, Leonberger,Maremma,Mastiff, Mastim Napolitan, Newfoundland,Landseer,Pyrenean Mountain Dog e St. Bernard, cuja apreciação deverá ser realizada com pelo menos dezoito meses completos de idade. Avaliações preliminares das articulações coxofemorais poderão ser realizadas a partir dos seis meses de idade.

Contenção
Com a finalidade de assegurar a qualidade técnica desejada, é obrigatória a contenção do paciente, mediante a utilização de associações farmacológicas capazes de determinar perfeito relaxamento do animal, para se obter o posicionamento correto e livre de reações por parte do cão. O médico veterinário, ao realizar a radiografia, assinará um termo de responsabilidade, comprometendo-se com esse tipo de contenção.

Posicionamento
Decúbito dorsal com os membros pélvicos em extensão caudal, paralelos entre si e em relação à coluna vertebral,tomando-se cuidado de manter as articulações fêmoro-tíbio- patelares rotacionadas medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares.Deve-se ainda ter o cuidado para que a pelve fique em posição horizontal. Uma segunda radiografia poderá ainda ser utilizada, com os membros pélvicos flexionados-frog position (posição de rã).

Identificação do filme
Na identificação mínima permanente do filme, em sua emulsão,deverá constar o número de registro do animal, raça, data de nascimento, data do exame radiográfico e a identificação da articulação coxofemoral direita ou esquerda.

Identificação do paciente
O médico veterinário ao realizar a radiografia deverá identificar o animal, caso ainda não esteja, por microchip, corretamente denominado de transponder(Figura 7), ou por tatuagem, para um posterior controle, se necessário.


Figura 7.
O transponder (microchip) mede 11 x 2mm. Sua implantação é subcutânea,
como qualquer administração medicamentosa pela mesma via, dorsalmente ao encontro das escápulas.

Tamanho do filme
Deve ser suficiente para incluir toda a pelve e as articulações fêmoro-tíbio-patelares do paciente.

Qualidade da radiografia
Serão analisadas as radiografias devidamente identificadas e as que obedecerem os critérios de posicionamento do animal, cujo padrão de qualidade ofereça condições de visualização da micro trabeculação óssea da cabeça e colo femorais e ainda definição precisa das margens da articulação coxofemoral, especialmente do bordo acetabular dorsal.

2 – Laudo

O radiologista, ao receber a radiografia, avaliada a sua qualidade para o diagnóstico, ficando a seu cargo a possibilidade de ser devolvida ao médico veterinário que a realizou, caso não obedeça aos padrões técnicos desejados. Para a emissão do laudo definitiva, cada radiografia será examinada por um dos radiologistas credenciados pelo CBRV, escolhido por sorteio, que não terá conhecimento do nome de registro ou mesmo do proprietário do animal. Cada proprietário terá direito, mediante pagamento dos respectivos custos, de recorrer a um segundo e último diagnóstico, submetido ao júri da Displasia Coxofemoral do Comitê Científico da Federação Cinológica Internacional.

Classificação das articulações coxofemorais:

A (HD -): sem sinais de displasia coxofemoral (Figura 8)
A cabeça femoral e o acetábulo são congruentes. O bordo acetabular crânio lateral apresenta-se pontiagudo e ligeiramente arredondado. O espaço articular é estreito e regular. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente105º, como referência.

B (HD +/-): articulações coxofemorais próximas do normal (Figura 9)
A cabeça femoral e o acetábulo são ligeiramente incongruentes e o ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º ou o centro da cabeça femoral se apresenta medialmente ao bordo acetabular dorsal.

C (HD +): displasia coxofemoral leve (Figura 10)
A cabeça femoral e o acetábulo são incongruentes. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 100º e/ou há um ligeiro achatamentos do bordo acetabular crânio lateral. Poderão estar presentes irregularidades ou apenas pequenos sinais de alterações osteoartrósicas da margem acetabular cranial, caudal ou dorsal ou na cabeça femorais.

D (HD ++): displasia coxofemoral moderada (Figura 11)
Evidente incongruência entre cabeça femoral e o acetábulo com subluxação. Ângulo acetabular, segundo Noreberg, é maior do que 90º, como referência. Presença de achatamento do bordo acetabular crânio lateral e/ou sinais osteoartrósicos.

E (HD +++): displasia coxofemoral severa (Figura 12)
Marcadas alterações displásicas das articulações coxofemorais, como luxação ou distinta subluxação. Ângulo acetabular, segundo Norberg, menor do que 90º. Evidente achatamento da margem acetabular cranial, deformação da cabeça femoral (formato de cogumelo, achatada) ou outros sinais de osteoartrose.


Figura 8. A (HD -),sem sinais de displasia coxofemoral.
Figura 9.
B (HD +/-),articulação coxofemoral próxima do normal.
Figura 10.
C (HD +),displasia coxofemoral leve.Discreta subluxação.
Figura 11.
D (HD ++),displasia coxofemoral moderada. Evidente subluxação, acompanhada de osteoartrose.
Figura 12.
E (HD +++), displasia coxofemoral severa. Subluxação ainda mais evidente, acompanhada de osteoartrose.

Pré requesitos para a emissão do laudo de displasia coxofemoral pelo CBRV:

  • Radiografia das articulações coxofemorais conforme as normas do CBRV.

  • Cópia autenticada do pedigree ou da tarjeta do animal.

  • Termo de responsabilidade do médico veterinário*

  • Termo de responsabilidade do proprietário ou responsável*

  • Taxa em dinheiro ou cheque nominal à ABRV

  • Todas as radiografias encaminhadas ao CBRV deverão ser remetidas de qualquer parte do Brasil para:
    Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária
    Caixa Postal 42041 – 04073-970 – São Paulo – SP
    FONE: (0_11) 530-9050

  • * Os termos de responsabilidade devem ser solicitados ao CBRV

Tratamento: poderá ser medicamentoso ou cirúrgico.Relacionam-se neste último várias possibilidades, desde as mais simples, tais como, por exemplo, a pectineotomia e a ressecção de cabeça femoral (artroplastia excisional), até as mais complexas, comO as correções de desvios do tipo geno valgo e antiversão, a osteotomia tripla de pelve, a osteotomia intertrocantérica, o alongamento de colo femoral, a prótese total, etc., e as associações cirúrgicas, como femoral. Modernamente tem se tratado, não só a displasia coxofemoral, mas também a displasia do cotovelo, a osteocondrose, a necrose avascular de cabeça femoral,a espondiloartrose, enfim, todas as patologias articulares degenerativas(artroses)e inflamatórias (artrites) através de produtos de origem natural com a propriedade de regenerar (anabolizar)e proteger a cartilagem articular degenerada, produzindo uma analgesia natural. Os antiinflamatórios esteróides mascaram a dor, liberando os movimentos articulares.Estes esteróides somados aos movimentos articulares tem uma ação de destruição (catabolização)da cartilagem articular, que é antagônica aos fatores anabolizantes dos produtos acima referidos. Por esta razão a associação dos mesmos não deve ser recomendada, muito menos só a aplicação dos antiinflamatórios. A ação anabolizante do produto pode ter um resultado final melhor quando acompanhada de medidas apropriadas de manejo,tais como manter o animal em locais restritos para que o mesmo reduza sua atividade física, assim como evitar a obesidade do paciente e os locais escorregadios. Há inclusive a possibilidade de ocorrer um remodelamento osteoarticular. Este fato é de suma importância, pois os osteófitos pericondrais poderiam ser, no mínimo, parcialmente reabsorvidos, descomprimido, por exemplo, as ramificações nervosas eferentes localizadas nos espaços intervertebrais. Poderíamos evitar a calcificação dos discos interverterbrais.

Caso estes procedimentos não sejam coroados de êxito, não podemos deixar de considerar a intervenção cirúrgica como uma possibilidade adicional.

Referências Bibliográficas

1 – BRAUND, K.G. Hip dysplasia and degenerative myelopathy:marking the distinction in dogs.Veterináry Medicine, (aug.),1987.
2 – CORLEY,E.A.;KELLER,G.G.Hip dysplasia:a guide for dog breeders and owners. 2nd. edition, Orthopedic Foundation for Animals,1989.
3 – DOUGLAS, S.W.; WILLIANSON, H.D.Veterinary radiological interpretation.Philadelphia,Lea & Febiger,1970.
4 – ETTINGER,S.J.Textbook of veteranary internal medicine.Philadelphia,W.B. Saunders,p.2211-14,1983.
5 – FOX,S.M.;BURT, J. Symposium on hip dysplasia.Veterinary Medicine.p.684-716,1987.
6 – KEALY,J.K. Diagnostic radiology of the dog and cat.Philadelphia, W.B. Sanders,1987,p.352-362.
7 – MORGAN, J.P.; STEPHES, M. Radiographic diagnosis and control of canine dysplasia. Iowa State University Press, 1988.
8 – SMITH, G.K. et al. New concepts of coxofemoral joint stability and the development of a clinical stress-radiographic method for quantitating hip joint laxity in the dog. Journal of American Veterinary Medical Association, v.196,n.1, p.59-70,1990.
9 – THRALL, D.W.;LEBEL, J.L.Carlson’s veterinary radiology. Philadelphia, Lea & Febiger,1977.
10 – TOMILINSON,J.; McLAUGHLIN. Jr., R.Canine hip dysplasia: developmental factors, clinical signs and initial examination steps.Veterinary Medicine, p.25-53,1996.
11 – TOMILINSON,J.; McLAUGHLIN. Jr., R.Medically managing canine hip dysplasia.Veterinary Medicine, p.48-53,1996.
12 – TOMILINSON,J.; McLAUGHLIN. Jr., R.Total hip replacement: the best treatment for dysplasia.Veterinary Medicine, p.118-143,1996.
13 – TOMILINSON,J.; McLAUGHLIN. Jr., R.Symposium on canine hip dysplasia. Veterinary Medicine, p.25-23,1996.
14 – TOMILINSON,J.; McLAUGHLIN.
Jr., R.Actualidad en displasia coxofemoral. El perro ovejero     alemam,p.41-43,1997.
15 – VERLAG, M.; SCHAPERH, H. Bercht der hüftgelenk dysplasia.
Kleintier Praxis, n.23,p.169-180,1978.

Edgar Luiz Sommer – CRMV-SP nº 1556 1. Sócio proprietário do Provet, responsável pelos setores de radiologia, ultra-sonografia e ecocardiografia; Conselheiro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo; Diretor Secretário do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária; Diretor pela América do Sul do International Veterinary Radiology Association.

Carlo Leonardo Grieco Fratocchi – CRMV-SP nº 7080 2. Presidente da Associação Brasileira de Radiologia Veterinária; membro do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária; Radiologista do Provet; membro do International Veterinary Radiology Association.

Fonte deste artigo: Revista de Educação Continuada do CRMV-SP.
São Paulo, fascículo 1, volume 1, p.031-035, 1998.

Edgar Luiz Sommer – CRMV – SP 1556
Carlo Leonardo Grieco Fratocchi – CRMV – SP 708
Provet
Av. Aratãs, 1009
Cep: 04081-004 – São Paulo
SP -Brasil

provet@uol.com.br

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Campanha Fisioanimal para controle da Displasia Coxofemoral
Tel: (011) 3862-6398
atendimento@fisioanimal.com
Agende uma avaliação ! Não deixe seu amigo de quatro patas com dores, displasia coxofemoral tem controle !

 

Fisioanimal - Qualidade e Dedicação em Reabilitação Veterinária - Ligue 011 3862-6398 e agente seu horário!

Fisioanimal – Qualidade e Dedicação em Reabilitação Veterinária – Ligue 011 3862-6398 e agente seu horário!

  • Share This

Submit a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You must be logged in to post a comment.