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FMVZ usa células-tronco para tratar lesão de coluna em cães

domingo, 28 de agosto de 2011

Duas teses em andamento na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP utilizam injeções de células-tronco em cães com lesões crônicas de coluna lombar e com restrições de movimento. A iniciativa, aliada fisioterapia pós-operatório, já apresenta resultados promissores: alguns dos animais que receberam injeções de células-tronco voltaram a apresentar movimentos.

As pesquisas  são realizadas pelos médicos veterinários Carlos Alberto Palmeira Sarmento e Matheus Levi Tajra Feitosa junto ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Terapia Celular (INCTC) com colaboração do Hemocentro de Ribeirão Preto. Carlos Sarmento trabalha com células-tronco extraídas de medula óssea fetal canina proveniente de campanhas de castração. Já Matheus Feitosa utiliza células-tronco obtidas da polpa de dente de leite de crianças.

“Analiso os resultados do meu trabalho com bastante otimismo, apesar de saber que é necessário um trabalho de fisioterapia contínuo. Mas acredito que com esta e outras pesquisas, os estudos envolvendo células-tronco possam apresentar resultados cada vez melhores”, aponta Carlos Sarmento, que é bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes). A pesquisa é orientada pela professora Maria Angélica Miglino, da FMVZ, e deve ser defendida em 2012.

Os dois pesquisadores realizaram os testes em cães considerados “desenganados” pela medicina veterinária: com lesões crônicas de coluna há anos ou vários meses e que têm graves dificuldades motoras, como perda severa de sensibilidade nas patas traseiras, e que já realizaram cirurgia para corrigir a lesão, sem resultados satisfatórios, ou que estavam passando por tratamentos alternativos como acupuntura e fisioterapia sem apresentar melhora no quadro clínico.

Um dos diferenciais do projeto, de acordo com os pesquisadores, é que a solução de células-tronco é injetada tanto no local exato da lesão da coluna lombar como também um pouco antes e um pouco depois do lugar lesionado. Um exame de ressonância magnética  fornece um diagnóstico preciso do local exato da lesão. Após a cirurgia, os animais continuam fazendo fisioterapia cerca de três vezes por semana em sessões de aproximadamente 1h30, durante três meses, com a finalidade de estimular a musculatura, que estava atrofiada. Este trabalho de fisioterapia veterinária é realizada na clínica da doutora Helena Sakata.

Resultados

Carlos Sarmento já realizou a cirurgia de aplicação de células-tronco em 3 cães ao longo do mês de abril: no dia 11, no daschund Fred, que tem atrofia e contratura muscular; no dia 12, no daschund Bola, que apresenta somente atrofia, e, no dia 25, no lhasa apso Bond, que apresenta somente atrofia muscular. “As lesões desses três animais são idênticas, mas o comprometimento muscular é distinto”, esclarece.

O cão Bond mostrou os resultados mais satisfatórios até agora: tenta levantar as patas traseiras, voltou a abanar o rabo (o que não fazia antes da aplicação com células-tronco), consegue apoiar as duas patas traseiras na esteira aquática e “anda” dentro d’água, sem nenhum apoio. Os pesquisadores utilizaram uma escala comportamental para avaliar a locomoção dos animais (escala de Olby et al) que varia de 0 (nenhum movimento) a 14 (movimento normal). “Sobre o Bond, pode ser dito que saiu de um escore 3 para um 5. Ele dá passos com o membro direito e começa a usar as articulações do membro esquerdo, que não utilizava antes da cirurgia”, informa Sarmento.

O cão Fred não apresentou nenhuma melhora após a intervenção. “Como o quadro deste cão era mais grave antes da cirurgia de aplicação de células-tronco, será necessário investir mais em fisioterapia, para diminuir a contratura e aumentar a amplitude do movimento”, diz o veterinário. Já o cão Bola também não apresenta uma boa resposta ao tratamento. Segundo o veterinário, há ainda dois cães recrutados e que  receberão as injeções com células-tronco.

Matheus Feitosa já tem três cães selecionados. A cirurgia de aplicação de células-tronco foi feita em um deles, o lhasa apso Juquinha, em 9 de dezembro de 2010. Antes da intervenção, o animal apresentava movimento de poucas articulações, mas não conseguia suportar o próprio peso sozinho e andava arrastando as patas traseiras. “Este cão se encontrava no número 4 da escala. Com 30 dias após a cirurgia, ele passou a apoiar as duas patas sozinho e já consegue andar na esteira aquática sem nenhum apoio. Ele foi do grau 4 para o 8, e chegou até o 10”, descreve Feitosa. “Operamos outro cão, o daschund Billy no último dia 7 de junho e ele vai iniciar a fisioterapia nos próximos dias. No entanto, como apresenta obesidade mórbida, tem um prognóstico mais reservado. O escore dele está entre 1 e 2”, completa.


Fonte:

noticias.uol.com.br

Cães idosos

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Saiba mais sobre seu cão idoso – quando podemos considera-lo idoso? Quais os cuidados que devemos ter e a quais sinais devemos estar atentos?fisioanimal

Os anos passam muito mais rápido para os cães. Levando-se em conta que a vida média desses animais é 12 a 15 anos, podemos dizer que aos 7 ou 8 anos, eles começam a envelhecer.

Com isso, ele poderá preveni-las ou diagnosticá-las a tempo do animal receber o tratamento adequado. Isso certamente prolongará a vida de muitos cães.

Existem animais que podem viver muito mais do que a média. Alguns cães chegam aos 18 ou 20 anos. Nesses casos, existem dois fatores envolvidos que justificam essa longevidade: predisposição do organismo e os cuidados que ele receberá quando começar a envelhecer. O dono deve ficar atento e conhecer as doenças que podem acometer seu animal a partir de 7 ou 8 anos de idade.


Calcificações nas vértebras da coluna (”bico de papagaio”), hérnia de disco e artrose

É muito comum em cães idososobesos. O animal pode começar a mancar e ter dificuldade de pular ou subir em locais mais altos, como um sofá. Quando palpado na região da coluna, ele sente dor. O quadro pode progredir e o animal passa a ter incoordenação nos membros (cruza as pernas traseiras ao andar), não consegue mais se levantar, urina e defeca em qualquer lugar (incontinência).

O desgaste das articulações (artrose) também é comum nessa idade. O cão sente dores ao executar movimentos simples. O diagnóstico dessas patologias é feito através do raio-X simples, tomografia e/ou mielografia (radiografia da coluna vertebral usando contraste).

Como tratar: pode estar ocorrendo compressão dos nervos e inflamação na região da coluna afetada por uma hérnia ou calcificação. O cão deve repousar e ser medicado pelo veterinário com antiinflamatórios e analgésicos. O cão que apresentar sinais graves, como paralisia, deve ser submetido a exames como raio-X, tomografia e mielografia para avaliar o grau da lesão.

No caso de artrose, o tratamento consiste na administração de analgésicos, antiinflamatórios . Em todos os casos é possível associar-se a fisioterapia, assim como terapias alternativas como acupuntura e quiropraxia.

Doenças do coração

Uma grande porcentagem dos cães idosos tem alguma alteração cardíaca, principalmente nas válvulas do coração. Muitos animais compensam essas disfunções e vivem bem, sem sinais clínicos. Outros apresentam sinais claros de cardiopatia, mas o dono não sabe reconhecer. Cansaço além do normal durante os passeios, tosse que pode ser confundida com um engasgo após exercícios, ofegação e língua arroxeada após uma situação de excitação, são sinais de um cão cardiopata. O animal deve ser examinado pelo veterinário, que indicará um eletrocardiograma e/ou um ecocardiograma para avaliá-lo.

Como tratar: é importante que o proprietário esteja atento, para que o animal seja medicado no início da doença. Mesmo não apresentando sinais clínicos, o animal idoso deve ser examinado pelo veterinário anualmente. Constatada a cardiopatia, o cachorro será medicado e os sinais deverão desaparecer. Isso prolongará em muito a vida do cão. Cães cardiopatas não devem ter peso acima do normal (obesidade) ou ser submetidos a longas caminhadas forçadamente.

Catarata

A catarata é uma condição em que o animal vai perdendo a visão gradativamente, uma vez que o cristalino (estrutura interna do olho) vai tornando-se translúcido. Quando observado à luz, o olho do animal tem manchas brancas. Com o passar do tempo, a catarata evolui e o animal passa a não enxergar, já que o cristalino está totalmente opaco e o animal tem os olhos bastante esbranquiçados.

Como tratar: diagnosticada precocemente, a catarata pode ser tratada para que sua evolução seja mais lenta. Nem todos os casos respondem bem ao tratamento. No caso de cegueira, existe cirurgia para catarata em animais. Algumas raças apresentam predisposição à catarata e ela pode aparecer precocemente, em animais novos.

Insuficiência renal crônica

Quando o rim perde a sua capacidade de selecionar o que é bom ou mau para o organismo e não consegue mais reter a água, temos um quadro de insuficiência renal crônica. Os sinais são emagrecimento,ingestão exagerada de água, urina em grandes quantidades, perda de apetite, vômitos e anemia.

Como tratar: a insuficiência renal crônica é um quadro que leva o animal à morte, pois o rim, que é o filtro do organismo, não funciona mais. Ele deixa passar substâncias importantes como vitaminas, e retém toxinas que deveria eliminar. Porém, diagnosticado a tempo, o animal pode ter uma sobrevida com uma mudança alimentar e complementos vitamínicos. A hemodiálise pode ser realizada.fisioanimal

Piometra

Cadelas idosas, não castradas principalmente, que apresentem sinais de perda de apetite, vômitos, aumento súbito do volume do abdômen, corrimento vaginal intenso e apatia, devem ser encaminhadas ao veterinário imediatamente. A piometra é uma infecção uterina que acomete cadelas idosas. O útero se enche de secreção purulenta e o animal se intoxica pela absorção desse pus pelo organismo.

Como tratar: O tratamento eficaz na maioria dos casos é a cirurgia com retirada do útero e ovários e antibioticoterapia. Em alguns casos (doença detectada precocemente e cadelas reprodutoras) pode ser tentado tratamento para preservar o útero, mas nem sempre se consegue resultados. Preconiza-se a castração de cadelas jovens como prevenção da piometra na fase adulta.

Tumores

Nem todo tumor é um câncer. Nas cadelas, o tumor mais comum ocorre nas mamas. Tumores de mamas são freqüentes e podem ser percebidos facilmente pelos proprietários como um ou vários nódulos nas glândulas mamárias das cadelas. A maioria dos tumores de mama é benigna, mas o veterinário deve acompanhar a evolução e indicar a remoção, caso ache necessário. A biópsia é sempre indicada após a retirada de qualquer tumor. Todo nódulo que aparece em um cão, idoso ou não, deve ser avaliado pelo veterinário. O diagnóstico precoce pode salvar ou prolongar a vida de um animal com câncer.

Como tratar: pode-se recorrer à remoção cirúrgica e/ou quimioterapia. A radioterapia em cães é realizada em alguns países.

Diabetes

Ela pode aparecer em qualquer cão. Cães idosos e/ou obesos podem se tornar diabéticos. O cão diabético apresenta magreza, embora coma muito. Bebe água exageradamente e urina demais. Pode apresentar catarata associada ao quadro.

Como tratar: A administração de insulina é feita em cães para o controle da doença na maioria dos casos.

Perda dos dentes

É algo que o dono pode e deve prevenir. O cão perde os dentes pelo acúmulo de tártaro. Os animais devem ser avaliados anualmente desde jovens, e a prevenção e/ou remoção do tártaro (quando necessário) devem ser feitos. Quando o dono percebe que a boca do seu cão cheira mal, é hora de visitar o veterinário. O ideal é fazer a prevenção. Quando é feita a limpeza de tártaro tardiamente, muitos dentes já estão perdidos. Alimentar o animal com ração seca pode ajudar a prevenir o tártaro, além de outras medidas.

Quanto à alimentação, vale ressaltar que existem rações para cães mais velhos (rações sênior). Dê preferência a elas para animais acima de 7 anos.

Fonte: Webanimal

Quiropraxia Veterinária

domingo, 6 de junho de 2010

O que é Quiropraxia?

Quiropraxia sendo aplicada na coluna.

Quiropraxia sendo aplicada na coluna.

A Quiropraxia é uma terapia manual holística e complementar. Isso quer dizer que o quiropraxista trata os animais através apenas das mãos, enxergando-os como um todo e relacionando o ambiente ao organismo, visando o equilíbrio das funções ideais, saúde e qualidade de vida.

O princípio da Quiropraxia é tratar as disfunções das articulações e principalmente da coluna vertebral, que acarretam problemas diversos. Através de ajustes simples e precisos, o profissional estimula o sistema nervoso e, consequentemente, todas as estruturas que mandam e recebem informações dele. Assim, potencializa a capacidade intrínseca do corpo dos cães, gatos, equinos , além de outras espécies, de se curar e manter-se são.

Um dos focos do tratamento quiroprático é o Complexo de Subluxação Vertebral, muitas vezes a causa primária das doenças articulares, endócrinas, problemas musculares ou de locomoção, queda de performance, entre outros. Um simples desalinhamento de uma unidade dinâmica (conjunto de vértebras) ou diminuição de seu movimento correto causa interferência da via neural, tornando-a ineficiente.

Alguns casos de indicação da técnica em cães e gatos são:

- Diminuição da dor em casos de displasia coxo-femoral;

- Espondilose  (‘bico de papagaio’);

- Osteoartrites;

- Granuloma por lambedura;

- Assimetria de membros e de andadura;

- Neuropatias e Miopatias;

- Problemas reprodutivos e urinários de fundo neurológico;

- Atrofia muscular;

- Reabilitação nas hérnias de disco;

- Fraturas e Instabilidade vertebrais;

- Doenças metabólicas;

- Estímulo do sistema imunológico;

- Tratamento preventivo e de manutenção da saúde.

A quiropraxia é uma arte bastante reconhecida em países da Europa e nos Estados Unidos por sua eficácia e segurança. Não visa substituir os cuidados veterinários convencionais, mas sim somar e acelerar o processo de reabilitação, sem o uso de fármacos ou procedimentos cirúrgicos. Ainda, quando aplicada corretamente, em muitos casos apresenta uma ótima resposta já na primeira sessão. A quiropraxia busca a fundo a causa do problema e, portanto, tem efeitos reais e duradouros.

Algumas dúvidas frequentes:

O tratamento quiroprático machuca?

Não. Geralmente o animal pode se sentir um pouco cansado ou dolorido logo após o ajuste quiroprático, decorrente do estímulo do ajuste. O que é desejável, uma vez que o ajuste ‘reseta’ o sistema nervoso, fazendo com que este volte a funcionar corretamente.

É verdade que o tratamento estala a coluna?

Na realidade, o som produzido normalmente pelas articulações dos humanos pode ocorrer nos animais, mas não se relaciona com o ajuste ou eficácia deste.

Meu animal vai ter que ficar parado ou preso?

Não. O animal pode se mexer a vontade, se assim desejar. Sugere-se evitar movimentos bruscos, como subir em camas ou sofás ou descer e subir escadas.

De quanto em quanto tempo é feito o tratamento?

O tratamento quiroprático é  feito de acordo com a resposta do animal. No mínimo, se aguardam sete dias, mas geralmente as sessões são realizadas em intervalos de quinze dias, evoluindo para trinta, sessenta e então semestralmente, para manutenção. É essencial que o proprietário converse e relate ao quiropraxista quaisquer mudanças no animal.

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Artigo sobre Acupuntura

domingo, 1 de novembro de 2009

PREVALÊNCIA DO USO DA ACUPUNTURA NA DISCOPATIA INTERVERTEBRAL
EM CÃES ATENDIDOS NO HOSPITAL VETERINÁRIO DA UNIVERSIDADE
LUTERANA DO BRASIL

Autores
PINTO, V. M. 1; LEMOS, C. M. 2; 1 FISCHER, C. D. B. 1; BAJA, K. G. 1
TANAKA, L.Y. 3; KOSACHENCO, B. 1;LOPES, K.P. 4; MAIA, J.Z. 1

RESUMO
A afecção do disco intervertebral é comum em cães e se caracteriza por
degeneração (metaplásica condróide e fibróide) ou metamorfose do disco, que pode
levar a graus variados de deslocamento discal (protusão ou extrusão), causando
pressão sobre a medula espinhal. Os sinais clínicos dependem da localização da
lesão. Pode ser evidenciado dor, ataxia, perda propriocepção, paresia ou paralisia. O
prognóstico depende da gravidade e duração dos sinais clínicos, paciente
apresentando somente dor, o prognóstico é muito bom; se há dor, ligeira ataxia e
perda de propriocepção, o prognóstico é bom; se há paresia, o prognóstico é
reservado a favorável; já, se há paralisia, controle vesical presente e sensibilidade
dolorosa superficial, o prognóstico é reservado; se há paralisia, controle vesical e
sensibilidade dolorosa superficial ausentes, o prognóstico passa a ser reservado a
grave; assim como no caso de paralisia, sensibilidade dolorosa profunda ausente,
com prognóstico grave. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. O
tratamento cirúrgico fica reservado para os casos graves de compressão medular e
paralisia. O tratamento clínico é direcionado para a redução do edema da medula
espinhal pelo uso de corticóides, repouso e o confinamento nas primeiras duas
semanas de tratamento. A acupuntura tem sido utilizada no tratamento das doenças
de disco intervertebrais, associada ou não com corticóides, com o intuito de
promover analgesia, reabilitação motora e sensorial. Ela elimina os pontos gatilho e
assim aboli a dor, o encurtamento e rigidez muscular. Além disso, pode ativar a volta
do crescimento de axônios destruídos na medula espinhal e reduzir a inflamação
local, edema, vasodilatação ou vasoconstrição e a liberação de histamina ou cinina.
Esse trabalho mostra a prevalência dos pacientes acometidos por doença de disco
intervertebral e tratados com acupuntura no Hospital Veterinário da Universidade
Luterana do Brasil (HV-ULBRA) durante o período de janeiro de 2007 a março de
2008.

Palavras-chave: acupuntura, cães, discopatia intervertebral.

INTRODUÇÂO
A afecção do disco intervertebral é comum em cães e se caracteriza por
degeneração (metaplásica condróide e fibróide) ou metamorfose do disco, que pode
levar a graus variados de deslocamento discal (protusão ou extrusão), causando
pressão sobre a medula espinhal (CHRISMAN, 1985; JOHNSON et al., 1997;
LECOUTEUR e CHILD, 1997; TAYLOR, 2006).
Segundo Chrisman (1985) e Taylor (2006), existem as protusões discais
Hansen tipo I que consistem em extrusão maciça ou prolapso do núcleo pulposo
decorrente da ruptura do anel fibroso, quase sempre observados nas raças
condrodistróficas (dachshund) e as protusões discais Hansen tipo II, nas quais há
ruptura parcial do anel fibroso que produz uma deformação na parte dorsal do anel
2
fibroso, que se projeta para o interior do canal medular, podendo comprimir a medula
espinhal.
Os sinais clínicos observados nos animais com discopatia intervertebral
dependem da localização da lesão espinhal, da gravidade do dano medular e do grau
de compressão medular (TAYLOR, 2006). Ao exame clínico, sinais clínicos de
neurônio motor superior são observados com maior freqüência do que os de
neurônio motor inferior, estes últimos aparecendo quando são acometidas as
intumescências cervicotóracica ou toracolombar (CHRISMAN, 1985; LECOUTEUR e
CHILD, 1997).
Para o diagnóstico são indicados os exames de imagem como a
radiografia simples, a mielografia (CHRISMAN, 1985; JOHNSON et al., 1997;
TAYLOR, 2006), a tomografia computadorizada e a ressonância magnética
(TAYLOR, 2006).
Matera e Pedro (2006) indicam que na reabilitação da coluna vertebral
deve-se considerar que os animais estão apresentando dor, inflamação e algum grau
de déficit neurológico e atrofia muscular. Segundo Lecouter e Child (1997) e Taylor
(2006), o tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. O tratamento clínico é
direcionado para a redução do edema da medula espinhal pelo uso de corticóides,
repouso e o confinamento nas primeiras duas semanas de tratamento.
Outra alternativa é a utilização de acupuntura e fisioterapia com o objetivo
de destruir os pontos gatilho e assim abolir a dor, o encurtamento e rigidez muscular.
Além disso, pode ativar a volta do crescimento de axônios destruídos na medula
espinhal e reduzir a inflamação local, edema, vasodilatação ou vasoconstrição e a
liberação de histamina ou cinina (JANSSENS, 2006).
A acupuntura corresponde a uma das técnicas de tratamentos da Medicina
Tradicional Chinesa (MTC), que consiste na inserção de finas agulhas e/ou
transferência de calor em áreas definidas na pele ou tecidos subjacentes,
denominados acupontos. Restabelece o equilíbrio de estados funcionais alterados,
atingindo a homeostase (YAMAMURA, 2001). Segundo Jaggar (1992) a MTC baseia-
se no equilíbrio ou harmonia, tanto no interior do organismo como o relacionamento
com o meio exterior. O conceito básico utilizado é representado pelos termos Yin e
Yang, que são energias opostas e ao mesmo tempo complementares.
Trata-se de uma terapia reflexa, em que o estímulo de uma região age
sobre outras. Para isso utiliza principalmente o estímulo nociceptivo, que são
receptores específicos para dor e terminações nervosas livres de fibras aferentes A
delta e C. Ocorre a transformação do estímulo mecânico, elétrico ou químico em
nervoso (SCOGNAMILLO – SZABÓ; BECHARA, 2001) .
A acupuntura pode ser utilizada em afecções do disco intervertebral
tóraco-lombar com o intuito de controlar a dor, normalizar a função motora, sensorial
e alterações na micção (STILL,1989). Além disso, pode atuar em casos de
paraplegia e espasticidade (GADULA, 1999) De acordo com Janssens (1992) a
melhora pode ser observada a partir de uma semana até seis meses.
Em casos agudos a acupuntura pode ser aplicada a cada 2 ou 3 dias,
sendo que as agulhas devem permanecer por 20 a 30 minutos (ALTMAN, 1992) e
em casos crônicos uma vez por semana durante quatro a seis semanas. Após
estabilização do quadro pode-se diminuir a freqüência para cada quinze dias e após
para cada 3 a 6 meses, sendo aconselhado em períodos de estação mais quente ou
fria do ano, baseado no diagnóstico na MTC (SCHOEN, 1994).
Segundo Maciocia (1996) os quadros com sintomas de dor, sensibilidade
ou parestesia correspondem a uma obstrução de energia nos meridianos. Além
disso, em qualquer lombalgia temos deficiência de Qi (yang ou yin) do rim, e
estagnação de Qi (energia) e Xue (sangue) responsáveis pela dor (TORRO, 1997).
3

A região lombar é energizada pelo Shen (rins), pelo Canal de Energia
Principal do Pangguang (bexiga), pelo Canal de Energia Curioso Du Mai (Vaso-
Governador) e pelos pontos Shu do dorso dos órgãos e vísceras, enquanto nervos,
ligamentos e capsular articulares são energizadas pelo Gan (Fígado) (YAMAMURA,
2001). Para restabelecer o fluxo de energia através do Meridiano da Bexiga até os
membros são utilizados frequentemente os pontos: B40; B60; B28; B54; VB30; F3;
VB34; VB29; E38; VB39, além dos pontos anterior e posterior da obstrução (WYNN e
MARSDEN, 2003). Também podem ser utilizados os acupontos B17 a B28, VG6,
VG4, além de acupontos distais como R3, R6, BP4, BP6 que são utilizados para que
fibras nervosas levem aferência até centros superiores e no segmento medular
afetado, combatendo a inflamação, dor e ativando a regeneração (JANSSENS, 1992;
STILL, 1989).

METODOLOGIA
Com o objetivo de estabelecer a prevalência dos pacientes acometidos por
doença de disco intervertebral e tratados com acupuntura no Hospital Veterinário da
Universidade Luterana do Brasil (HV-ULBRA) foram contabilizados os animais
encaminhados ao serviço de acupunturada, no período de janeiro 2007 a março de
2008.
Dados relativos à idade dos animais, sexo, e raça foram registrados, bem
como as terapias utilizadas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foi atendido um total de 56 animais com doença de disco intervertebral no
serviço de acupuntura veterinária do HV-ULBRA, no período de janeiro de 2007 a
março de 2008. Os animais foram classificados em diferentes graus de lesão de
acordo com os sinais clínicos e neurológicos presentes (Janssens, 1992). A maioria
dos animais atendidos (em torno de 80%) apresentaram grau 4 ou 5.
Na resenha dos animais pôde-se evidenciar que 46,4% dos animais eram
da raça Dachshund, 56,6% eram de diferentes raças como Collie, Labrador, Pointer,
Pastor alemão, Lhasa apso, Cocker, Rotweiller, Boxer e SRD. A raça Dachshund foi
a mais predominante e conforme Chrisman (1985), Johnson et al. (1997) e Taylor
(2006) é uma das mais acometidas pela protusão discal tipo I.
A idade dos animais atendidos oscilou entre 1 e 13 anos. Sendo que a
maioria (44,6%) entre 3 a 6 anos. Conforme LeCouteur e Child (1997) nos cães
condrodistróficos esse processo se inicia entre os oito meses e os dois anos de
idade, enquanto, nos animais não condrodistróficos a alteração começa entre os
cinco e dez anos de idade.
Os sinais clínicos apresentados pelos animais eram de graus variáveis (1
a 5), desde dor sem déficits neurológicos, até casos de paralisia com ausência de
sensibilidade dolorosa profunda. Esta classificação está de acordo com Janssens
(1992).
O diagnóstico da discopatia nestes animais foi estabelecido através do
exame clínico neurológico e dos exames de imagem como o raio-x e a mielografia,
que foi realizada em 2 animais, os quais foram encaminhados para cirurgia.
Ao serem encaminhados ao serviço de acupuntura os animais com lesões
agudas recebiam como tratamento clínico a prednisona e recomendação de repouso
restrito em gaiola. Além disso, eram associadas sessões de fisioterapia, tanto nos
pacientes com lesões agudas ou crônicas, que envolviam uma avaliação fisioterápica
do animal com o estabelecimento dos objetivos do tratamento. Considerava-se a
avaliação clínica da dor, dos processos inflamatórios, do grau de déficit neurológico,
4

bem como o grau de atrofia muscular presente. Os recursos fisioterapêuticos
utilizados foram: o uso do laser terapêutico, termoterapia e cinesioterapia. Kisner e
Colby (1992), Battistela e Shinzato (1995), Butler (2003), Freire (2005), Amaral
(2006), Matera e Pedro (2006) indicam estes recursos terapêuticos para os animais
com afecções na coluna vertebral.
Os animais eram submetidos ao tratamento com acupuntura uma vez por
semana, utilizando pontos principalmente do meridiano da bexiga, estômago e
vesícula biliar no caso de discopatias tóraco-lombar, lombar e sacral. Segundo Wynn
e Marsden (2003), a fraqueza nos membros pélvicos após protrusão ou extrusão
discal envolve principalmente o meridiano da bexiga e secundariamente os
meridianos do estômago e vesícula biliar. Nas discopatias cervicais eram utilizados
pontos do meridiano da bexiga, vesícula biliar, intestino grosso, vaso governador.
Janssens (1985) cita para o tratamento de discopatias cervicais a utilização dos
pontos TA5, VB20, VB39, ID3, IG11 e pontos locais dolorosos a palpação.
Dos 56 animais atendidos, 67,8% apresentaram melhora do quadro, 3,6%
foram encaminhados para cirurgia, 21,4% apresentaram pouca ou nenhuma melhora
e 7,2% abandonaram o tratamento. A maioria dos animais manifestava melhora
clínica a partir da segunda ou terceira sessão. De acordo com Janssens (1992) a
melhora pode ser observada a partir de uma semana até seis meses.

CONCLUSÃO
A discopatia intervertebral é uma realidade na rotina de pequenos animais
e no HV-ULBRA. Os médicos veterinários devem saber identificar os pacientes
acometidos, bem como estabelecer a lesão e sua gravidade, a fim de prescrever um
tratamento clínico-cirúrgico adequado. O tratamento clínico é baseado no uso anti-
inflamatórios esteróides e no repouso. A acupuntura e fisioterapia visando a
reabilitação do animal devem ser sempre indicadas, já que aceleram o processo de
cura, e melhoram a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Veterinária. São Paulo: Manole, 2006. p. 50-62.

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J. Tratado de medicina interna veterinária. São Paulo: Manole, 1992, v. 1. p.507-
522.

BATTISTELLA L. R.; SHINZATO G. T. Exercício Terapêutico. In: LEITÂO, A; LEITÂO
V. A. Clínica de Reabilitação. Rio de Janeiro: Atheneu, 1995. p. 237 a 255.

BUTLER, D. S. Mobilização do Sistema Nervoso. São Paulo: Manole, 2003.

CHRISMAN, C. Neurologia dos Pequenos animais. São Paulo: Roca, 1985.

FREIRE, M. N. Recursos Fisioterapêuticos Utilizados em Pequenos Animais.
2005. Disponível em: <http://www.vetphysical.com.br/artigos> Acesso em 10 set.
2006.

GADULA, E. Acupuncture in paraplegia. Disponível em:
>http://www.icmart.org/index.php.id=164,159,0,0,1,0. Acesso em: 10 Mai. 2008.
5

JAGGAR, D. History and basic introduction to veterinary acupuncture. Problems in
Veterinary Medicine, v.4, n.1, p.1-11, 1992.

JANSSENS, L. A. Acupuntura para Tratar Doenças de Discos Toracolombar e
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JANSSENS, L.A. Acupuncture for the treatment of thoracolumbar and cervical disc
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JANSSENS, L.A. The treatment of canine cervical disc disease by acupuncture: a
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Artigo sobre Radiologia

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cavaletti, F.C., Silva, T.R.C., Urtado, S.L.R.

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS ACHADOS RADIOGRÁFICOS DOS EXAMES SIMPLES E CONTRASTADOS (MIELOGRAFIA) EM CÃES PORTADORES DE LESÕES MEDULARES.  Departamento de Radiodiagnóstico do Instituto Veterinário de Imagem. 
Introdução: Dentre os exames complementares para avaliação da coluna vertebral, o estudo radiográfico simples e contrastado (mielografia) é de vital importância para o diagnóstico de alterações medulares, assim como a determinação do local e extensão das lesões. Neste estudo procuramos comparar os achados radiográficos de cães portadores de alterações neurológicas da coluna vertebral, visando obter maiores informações que pudessem embasar os achados clínicos desses pacientes. Material e método: Realizamos o levantamento radiográfico em 198 cães, no período de 1995 a 2005, mostrando a freqüência das lesões medulares quando comparadas radiografias simples e contrastadas. Os animais submetidos às mielografias foram anestesiados com protocolos variados, de acordo com a avaliação prévia do médico veterinário responsável, porém a manutenção anestésica foi realizada com Isoflurano. Anteriormente à administração do contraste é padronizado pelo instituto, o estudo radiográfico simples do segmento cervical, torácico, tóraco-lombar e lombar da coluna vertebral. O contraste utilizado é o Ioexol 300mgI/ml (Omnipaque™), na dose de 0,4ml/kg não ultrapassando o máximo de 9,0ml por animal. A administração é realizada através da punção cervical na cisterna magna e posteriormente, caso haja necessidade, punção lombar no espaço subaracnóideo, preferencialmente entre a quinta e sexta vértebra lombar. O equipamento radiológico utilizado é um Tecno-design 500Ma/125Kv de alta freqüência, ânodo giratório e mesa bucky flutuante, com filmes e chassis Kodak de tamanhos apropriados. Após a aplicação do contraste é realizado um novo estudo radiográfico das regiões supracitadas, em projeção látero-lateral, ventro-dorsal e caso haja necessidade as obliquas, em dorso-extensão e ventro-flexão.
Resultados: Todos os animais estudados apresentaram alterações em algum segmento da coluna vertebral perante as radiografias simples. Nas mielografias, 31 (15,6%) cães não apresentaram sinais de compressão medular; 142 (71,7%) mostraram sinais variados de compressão medular extradural; 08 (4,0%) com lesões intramedulares e 17 (8,5%) apresentaram resultados inconclusivos, devido a fatores como processo inflamatório local ou insucesso da punção lombar. Das 142 compressões extradurais, 54 (38%) localizaram-se na região cervical; 27 (19%) na torácica; 44 (30,9%) na tóraco-lombar e 17 (11,9%) na lombar. Quanto ao tipo de lesão extradural, 113 (79,5%) cães apresentaram casos de discopatias, sendo 81 (71,6%) protrusões e 58 (51,3%) extrusões; 13 (9,1%) casos de compressões extradurais foram relacionados a fraturas e luxações e 16 (11,2%) a outras alterações como neoplasias, hipertrofia ligamentar e hematomas ou hemorragias.
Conclusão e discussão: Observamos que as lesões extradurais representam grande incidência das alterações medulares. Em alguns casos, a associação de outros exames complementares de imagem torna-se imprescindível para o diagnóstico definitivo da lesão. A mielografia desempenha importante papel no auxilio a neurologia clínica e cirúrgica. Apesar do advento da tomografia computadorizada, este exame radiográfico continua sendo de vital importância na visualização de compressões medulares, assim como, na determinação do grau de severidade das lesões. Entretanto, a tomografia é cada vez mais utilizada na medicina veterinária para esclarecerem achados das mielografias convencionais, particularmente quanto houver presença de edema medular importante, tornando a associação dos dois exames imprescindível no diagnóstico definitivo de algumas lesões medulares.

 

fonte : www.ivi.vet.br